segunda-feira, 19 de julho de 2010

Visita à psicóloga


Visita à psicóloga


Nesta sexta-feira comecei minha primeira sessão de terapia. Dei início expondo meu profundo descontentamento com as atitudes rudes e grosseiras do meu namorado. Felizmente, não guardei mágoa do último acontecimento desagradável que tivemos.

A psicóloga propôs que eu falasse sobre um tema específico, algo do meu agrado. Abri a sessão dizendo da grande dificuldade de expor o que realmente sinto e penso aos médicos e, falei que sempre vivi de máscaras. Tirá-las é quase insuportável para mim.

A meu ver, as pessoas me acham calma, calada, quieta e, até mesmo, um pouco fria, pois sempre procuro esconder o que sinto.

A sessão prosseguiu, passei, então, a misturar um pouco os assuntos. Fui contando que me rejeitaram ao nascer, meus pais me rejeitaram desde o princípio.

Depois, desabei no choro descontrolado. Eu não consigo me livrar do meu passado. Como alguém pode viver sem lembranças e acontecimentos que se foram? Para mim é impossível.

Não prestei muita atenção às palavras da profissional, meu desespero era tão grande, minha revolta era tão grande, que tomava conta daquela conversa, da sala e, lentamente, transbordava através dos meus olhos e caía na minha face como lágrimas.

Chorei desesperadamente, de uma maneira brutal. Senti-me ridícula, frágil, desamparada.

Minhas máscaras ficaram fora daquela porta, eu estava só, comigo mesma, sem nenhum recurso que me fizesse parecer menos patética e infantil. Eu me comportei como uma criança que, assustada, chora sem enxergar a saída.

Um comentário:

yolanda disse...

É horrível quando isso acontece, quando nos expomos dessa forma. A vergonha que sentimos depois, o desespero, e (pior) nos sentirmos tão frágeis, infantis e medrosas como quando crianças em situações de abandono, solidão e medo. Ás vezes, parece que mesmo com tudo que cresci, que conquistei, continuo sendo aquela garotinha... E como ela sofreu, como é difícil se desprender dela e virar uma mulher adulta.

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