Tudo pra mim é nada. Muito pra mim não basta. O que eu quero é absurdos.
quinta-feira, 17 de junho de 2010
O espelho
Quando me olho no espelho, nunca sei ao certo qual imagem irei encontrar.
Às vezes, pega-me de surpresa, uma menina assustada, cheia de segredos que não tem com quem compartilhar.
Quando me olho no espelho, vejo discretamente um sorriso amarelo-limão, fixo como em um retrato 3x4, a denunciar todas as minhas tristezas.
Às vezes, a imagem me lembra uma mulher de muitas faces, mas que não sabe qual delas deve usar.
Quando me olho no espelho, vejo mágoas e frustrações, lembranças tão presentes que chegam a me cortar.
O espelho, esta dolorosa e mais perfeita cópia do que nós somos, diz sempre que há crueldade em meu olhar.
O meu olhar, quando cruza o espelho, vê pedaços que faltam em mim, sempre incompletos e estilhaçados pelo passado, à espera de um novo recomeço.
Mas, o espelho, se olho bem para ele, continua me dizendo que não posso mais voltar.
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