sexta-feira, 18 de junho de 2010

Mutação

Nunca mais quero saber de quem eu sou.


Quero esquecer todos os momentos que já vivi.

Deixarei para trás todas as estradas por onde andei.

Rasgarei todas as páginas dos livros que já li.

Não acreditarei em mais ninguém.

Trancarei as portas por onde passei.

Esquecerei de todos aqueles que me amaram.

Correrei na direção contrária.

Não tenho mais nada para buscar.

Atrasarei as horas, para que meus passos tenham a lentidão de um dia.

Fecharei todas as cortinas para impedir a luz de entrar.

Enxergarei no escuro uma mulher contraditória.

Renascerei despreocupada desse fardo que é viver.

Sou de subsolos, sou de submundos e incógnitas.

Fraudarei minha presença entre as demais pessoas.

Surgirei como um animal selvagem e faminto.

Serei perigosa, brutal, bestial.

Sedenta de vontade de viver.

Um comentário:

yolanda disse...

Pois eu tb tenho sede de viver, de tomar a vida em goles, em garrafões =)
Mas já não sei viver sem quem eu amo... até pq, como diria Simone de Beauvoir (discordando de Sartre, por ex), 'O inferno sou eu'.

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