Tudo pra mim é nada. Muito pra mim não basta. O que eu quero é absurdos.
quinta-feira, 17 de junho de 2010
abrigo
Era um dia comum -ensolarado- e eu caminhava pensativa.
Ela então me estendeu a mão e eu a segurei.
Olhando nos meus olhos firmemente, ela disse:
-entra que a casa é tua.
E eu entrei...
-acomoda-te e te aquietas. Não precisas fazer mais nada.
Eu me acomodei num canto qualquer.
Porém, o desejo de descobrir o que está desconhecido,
De explorar o incomensurável foi maior.
Invadi aquela cabana e fui atraída por uma luz.
Mas, esta luz, não indicava a saída,
Era fria e assustadora, como as coisas ignoradas são.
Eu, como humana, desafiei o desconhecido.
Entreguei-me à possibilidade do poder,
De tomar o domínio da situação.
Mero engano.
Fui-me adentrando-cada vez mais submersa-naquele lugar que se tornava,
Ao mesmo tempo, irresistível, assustador e inquietante.
Sem me dar conta, os anos se passaram,
E eu percebi que estava perdida.
Não havia mais luz, apenas um frio glacial,
Que só as almas solitárias sentem e,
Acreditem,
É insuportável.
Mas, eu tenho que continuar a viver no escuro.
Acomodei-me e me acostumei à situação sem protestar.
É que queremos ser fortes, até quando a dor é intolerável.
É que queremos ser admirados, até quando o fracasso já está presente.
Queremos ter espaço, mesmo quando somos uma sombra e nada mais.
Hoje, vivo lentamente meus dias na fria cabana,
Onde só a solidão habita.
Onde só as almas incompreendidas conhecem seu caminho.
Um comentário:
Faz parte da gente querer afeto, admiração, olhares... Mas o mais importante é a gente saber viver independente deles.
É bem difícil, mas a gente encontra o caminho ;)
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